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21.4.12

Não dá para sair por aí falando que mediunidade é, simplesmente, doença mental!

Retirado da Wiki....


Estudos científicos



Sessão mediúnica conduzida por John Beattie em Bristol, Inglaterra,1872.

Na segunda metade do século XIX diversos médiuns foram levados a realizar testes que tornaram supostamente plausíveis a existência de espíritos, por exemplo as médiuns Leonora Piper e Gladys Osborne Leonard. Os resultados obtidos na época, com cada uma dessas médiuns, foram bastante convincentes. Piper foi tão famosa que chegou a ser citada na Enciclopédia Britânica de 1911 em dois verbetes[6] [7], e ainda admitida no discurso de William James publicado pela revista Science como possuidora de poderes paranormais[8].

O neurocientista Núbor Orlando Facure diz que a mediunidade é um fenômeno fisiológico, universal comum a todas as pessoas, e que pode se manifestar de diferentes maneiras. Nos estudos que realiza, busca compreender a relação entre os núcleos de base dos automatismos psico-motores e aqueles que geram o fenômeno da mediunidade. Em entrevista dada à revista Universo Espírita (N°35, Ano 3), Facure aponta que os neurônios em espelho podem ser os responsáveis pela sintonia que permite sentirmos no lugar do outro. No entanto, Facure também diz que isso são apenas conjecturas e que atualmente não existe comprovação científica de que o fenômeno se dê dessa forma[9].

Em pesquisa realizada por Frederico Leão e Francisco Lotufo, Médicos-psiquiatra da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, constatou-se uma melhora dos aspectos clínicos e comportamentais de "650 pacientes portadores de deficiências mental e múltiplas" ao submetê-los a um tratamento espiritual realizado através de reuniões mediúnicas. Como resultado do estudo, os autores sugerem a "aplicação do modelo de prática das comunicações mediúnicas como terapias complementares"[10].

Outra importante pesquisa foi realizada pelo médico psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, que no dia 22 de fevereiro de 2005 defendeu a teseFenomenologia das Experiências Mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, da Faculdade de Medicina da USP. A tese pretendeu traçar um perfil de saúde mental de 115 médiuns espíritas (escolhidos aleatoriamente), na qual foram testados e entrevistados com apurados instrumentos da Psiquiatria. Na conclusão do trabalho, Almeida diz que "os médiuns estudados evidenciaram alto nível socioeducacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos menores e razoável adequação social. A mediunidade provavelmente se constitui numa vivência diferente do transtorno de identidade dissociativa. A maioria teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância, e estas, atualmente, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias, que não necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia". Desta forma, constatou-se que os médiuns estudados apresentaram boa saúde mental, apesar dos sintomas de visões ou interferências de pensamentos alheios, que não são sintomas de loucura, mas outro tipo de vivência, chamada pelos espíritas de Mediunidade. [11]


ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE O TEMA:

http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol34/s1/54.html - Uso de práticas espirituais em instituição para portadores de deficiência mental - Frederico Camelo Leão, Francisco Lotufo Neto
ALMEIDA, Alexander Moreira de. Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas. Tese de Doutorado. USP, São Paulo, 2004 [2]. Acesso em: 16 fev. 2010.

10.3.12

Psicologia, ciência pós-moderna e espiritualidade: reflexões a partir das contribuições de Ken Wilber

por Bernardo A. Marçolla  - Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Psicólogo, Mestre em Psicologia Social (UFMG), Doutorando em Letras (PUC Minas), Pós-doutorando em estágio pela CAPES



Resumo

Tendo como pano de fundo a crise e os questionamentos surgidos no contexto da ciência pós-moderna, este artigo tem como objetivo discutir a ampliação da noção de sujeito tal como compreendida pela psicologia transpessoal, utilizando-se, para tal, das contribuições de Ken Wilber. Tal ampliação, que incluiria as dimensões de alma e espírito, estaria sintonizada e ancorada no diálogo com antigas tradições espirituais, o que nos leva a levantar a discussão acerca da importância do diálogo entre a psicologia e essas outras formas de saber.

Palavras-chave : Psicologia Transpessoal; espiritualidade; ciência pós-moderna



ARTIGO COMPLETO, AQUI

18.1.12

Evento Gospel agora pode receber dinheiro público. Brasil é um estado laico?

Teu dinheiro, dos impostos que paga, está financiado shows evangélicos!


original em: http://www.artesquema.com/2012/01/10/evento-gospel-agora-pode-receber-dinheiro-publico-brasil-e-um-estado-laico/


Aqui segue uma notícia que reflete o que é este Brasil do progresso a todo custo: A presidente Dilma sancionou a alteração da Lei no 8.313, de 23 de dezembro de 1991 – Lei Rouanet – para reconhecer a música gospel e os eventos a ela relacionados como manifestação cultural:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12590.htm

Sendo este (ainda) um Estado laico, é inaceitável essa manobra populista. A Cultura já sofreu corte brutal orçamentário em 2011-12, e ter ainda que competir com eventos religiosos de toda ordem é um espanto. Enquanto igrejas pentecostais se disseminam no país velozmente, pregando alienação e mercantilismo em nome de Deus, a educação fundamental continua sendo de péssima qualidade – e isso, a meu ver, explica o sucesso e a pressão que a bancada religiosa faz no Governo, exigindo medidas como essa.

Em resumo: tal lei permite que eventos e produtos de conteúdo religioso sejam difundidos com dinheiro do Estado, ainda que na Constituição esteja escrito o seguinte:

“Artigo 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I- estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.”

E um detalhe: ao final do texto da lei, temos dois nomes assinando o documento: Jarbas Passarinho e o titular, ex-presidente cassado Fernando Collor de Mello – um exemplo de como nosso povo continua ignorando tudo o que se relaciona com a vida política. Nem Jesus Salva…

MEDO !!!!!!!!

17.1.12

A religião sob o olhar evolucionista - adaptação ou "by product"?



Atran: "Por que eu deixei de crer?"
Deus foi sempre um enigma para Scott Atran. Quando ele tinha 10 anos, escreveu uma mensagem queixosa na parede de seu quarto, em Baltimore. "Deus existe", ele rabiscou em tinta preta e alaranjada. "Ou, se não existe, estamos encrencados". Atran, 55 anos, vem enfrentando dificuldades com questões religiosas desde então, em um esforço por compreender por que ele, pessoalmente, deixou de acreditar em Deus, e por que tantas outras pessoas, no mundo inteiro, continuam a fazê-lo.

Não importa que usemos o nome Deus, ou a palavra "superstição" qualquer que seja o termo, parece existir um impulso humano inerente a acreditar em algo transcendente, algo além do alcance de nossa compreensão e da ciência. Quando conversamos, em janeiro, Atran, hoje antropólogo no Centro Nacional de Pesquisa Científica, em Paris, indicado pela Universidade do Michigan e pelo John Jay College of Criminal Justice, de Nova York, perguntou "por que até mesmo as pessoas mais atéias fazem figa quando um avião encontra turbulência?"

Há um debate esclarecedor em curso entre os cientistas quanto à evolução da religião. Os estudiosos tendem a concordar em que a crença religiosa deriva da arquitetura cerebral desenvolvida em período precoce da existência do homem. Mas tendem a discordar quando a questão é determinar se a tendência a acreditar evoluiu porque a crença em si era adaptativa ou se veio como efeito colateral da evolução (by product), conseqüência de alguma outra adaptação ocorrida durante a evolução do cérebro humano. 
 
Crença universal - deuses?
De acordo com os antropólogos, as religiões que compartilham de certas características sobrenaturais, tais como a crença em um Deus ou deuses incorpóreos ou a crença na capacidade da oração ou de rituais para mudar o curso dos acontecimentos humanos, estão presentes em virtualmente todas as culturas do planeta.

Quando um traço é universal, os biólogos especializados em evolução tendem a procurar uma explicação genética e a imaginar como um gene ou grupo de genes poderia reforçar as perspectivas de sucesso reprodutivo ou a sobrevivência. Atran via essas questões como um enigma, quando aplicadas à religião. Grande número de aspectos da crença religiosa envolvem compreensão errônea do mundo real. Será que isso não representaria uma desvantagem em uma competição na qual apenas os mais aptos sobrevivem?

Um exemplo disso é a crença de que, mesmo depois de morta, uma pessoa continuará a existir, a rir ou chorar. Essa confusão "não parece ser uma estratégia evolutiva razoável", escreveu Atran em "In Gods We Trust: The Evolutionary Landscape of Religion" em deuses confiamos: o cenário evolutivo da religião, livro que ele publicou em 2002. "Imagine algum outro animal que confundisse doença com saúde, grande com pequeno, lento com rápido ou morto com vivo. É improvável que uma espécie como essa pudesse sobreviver".

Ele começou a procurar por uma explicação alternativa: se a crença religiosa não era adaptativa, talvez estivesse associada a algo mais que o seja. Ele recorreu a uma subdisciplina emergente na teoria evolutiva ¿a evolução da capacidade cognitiva humana.

Os darwinistas que estudam a evolução física distinguem entre traços que são adaptativos em si, como a presença de células sangüíneas capazes de transportar oxigênio, e traços que são conseqüências de adaptações, como o fato de o sangue ser vermelho. O sangue é vermelho e não azul como efeito colateral de uma característica adaptativa, ou seja, a presença de sangue dotado de hemoglobina. Stephen Jay Gould, famoso biólogo evolucionista de Harvard, morto em 2002, e seu colega Richard Lewontin propuseram o termo "spandrel" para descrever um traço que não têm valor adaptativo próprio. A possibilidade de que Deus seja um spandrel ofereceu a Atran uma nova maneira de compreender a evolução da religião. Mas Deus seria um spandrel de que, exatamente?

As dificuldades da vida humana em seus primórdios favoreceram a evolução de certas ferramentas cognitivas: detecção de agentes, raciocínio causal e teoria da mente. A detecção de agentes evoluiu porque presumir a presença de um agente (o termo designa qualquer criatura com comportamento independente) é mais adaptativo do que presumir sua ausência.

1 - DETECÇÃO DE AGENTES
 
Se você é um homem das cavernas na savana, melhor presumir que o movimento percebido com o rabo do olho representa um agente capaz de ameaçar sua vida, algo de que fugir, do que presumir o contrário. O que isso quer dizer em termos de acreditar em fenômenos sobrenaturais? Quer dizer que nossos cérebros estão prontos a presumir a presença de agentes, mesmo que essa presença contrarie a lógica. 
 
Ilógico, mas útil !

2 - RACIOCÍNIO CAUSAL
 
O segundo módulo que nos prepara para a religião é raciocínio causal. O cérebro humano evoluiu de forma a impor uma narrativa, com cronologia e lógica causal, sobre qualquer coisa que encontre, não importa até que ponto seja aleatória. O psicólogo Justin Barrett escreveu, em um livro sobre os motivos para explicar a crença em Deus, que "automática e muitas vezes inconscientemente, procuramos por uma explicação quanto aos motivos para que certas coisas tenham nos acontecido, e não adianta dizer que ´simplesmente aconteceu´. Os deuses, em virtude de suas estranhas propriedades físicas e superpoderes, são causas excelentes para muitos desses acontecimentos incomuns".

IMPOSSÍVEL? Não! É possível pq "Deus quis". Pronto.

3 - TEORIA DA MENTE
 
A terceira possibilidade é uma espécie de intuição social conhecida como "teoria da mente". O termo parece estranho para algo tão automático, e o termo que Atran prefere, "psicologia folclórica", parece mais adequado. Ela nos permite antecipar as ações alheias, e que os levemos a crer o que desejamos acreditem.

O processo começa quando uma pessoa toma como axioma a existência de mentes, a própria e as de outros. E quando ela aceita esse princípio, que não se pode verificar empiricamente, se torna mais fácil aceitar que mentes não precisam estar ancoradas a um corpo, e basta mais um passo para acreditar em alma imortal e deus incorpóreo.

Teoria da mente te permite acreditar em "espíritos" (outras mentes)

The New York Times Magazine