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28.1.12

Concursos públicos, a vaga e a Igreja Universal

retirado do site de Rene Kivitz ( http://edrenekivitz.com/ ), sob o título de "Os pastores feiticeiros e seu evangelho pagão"

AGÊNCIA ESTADO | ECONOMIA & NEGÓCIOS

Pastores da Igreja Universal do Reino de Deus inovam. Pela TV, em Brasília, prometem bom desempenho em concursos públicos. O fiel só precisa levar caneta ou comprovante de inscrição ao templo para ser ungido.


O discurso? “Se Deus te iluminar, te der a direção, nada dá errado.”


[Fonte: http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy]

O pior dessa notícia é que tem uma lógica danada. Literalmente, a lógica é danada. É dos quintos dos infernos. Mas faz todo o sentido dentro da cosmovisão religiosa popularmente identificada como cristã, isto é, da subcultura sociologicamente definida como segmento religioso que se pretende cristão. Senão, observe.

. Para quem crê em um Deus intervencionista, que se mete no cotidiano da vida humana vindo de fora (de outro mundo, da sala do trono, ou sei lá de onde), qual é o problema de pedir a Deus que favoreça um dos seus filhos em um concurso público?

. Para quem acredita em unção como ritual litúrgico, e sai por aí passando óleo e azeite em portas e janelas, carros, pessoas, animais de estimação, propriedades, galpões empresariais e escritórios, e outras coisas mais, qual é o problema de ungir ritualisticamente uma caneta ou uma ficha de inscrição para um concurso público?

. Para quem acredita que Deus revela segredos aos seus filhos, fala pela boca dos profetas e dá palpite na vida dos outros, qual é o problema em pedir uma iluminação ou uma direção, tipo informação privilegiada, como ajuda para o êxito num concurso público?

. Para quem acredita que o templo é a Casa do Senhor, e que os pastores, bispos, apóstolos e patriarcas são Servos do Senhor, pessoas especiais, com uma unção especial de Deus, qual é o problema de participar dessa unção ritualística no Templo Sede Internacional e receber a benção do homem de Deus antes de atravessar o desafio de um concurso público?

. Para quem faz promessas de subir escadas de joelhos, realiza peregrinações carregando cruz nas costas, amarra fitinhas de santos no pulso, pendura no pescoço colares benzidos nos terreiros, carrega santinhos na carteira, ou participa de correntes da fé em busca de bençãos materiais e soluções para problemas circunstanciais, qual é o problema de ungir a caneta ou a inscrição para o concurso público?

Em síntese, apesar de grotesca e de causar espanto, respeitada a lógica religiosa popular cristã, não há nada de errado nessa prática noticiada pela Agência Estado. O desafio é responder se essa lógica expressa de fato o Evangelho de Jesus Cristo.

19.1.12

A implicância dos RELIGIOSOS americanos com o Ateísmo

nota minha ----- O texto é tendencioso por estabelecer relações causalísticas de maneira apressada, mas ainda assim vale pela reflexão ----- Tiago Tatton

por Gregory Paul e Phil Zuckerman, Publicado em: 29 de abril de 2011 no Washington Post. A tradução é minha, por isso é tosca mesmo.


A implicância dos RELIGIOSOS americanos com o Ateísmo



Mesmo depois de judeus e negros terem feito grandes progressos em relação a igualidade de direitos e diminuição de preconceitos nos EUA, e até mesmo homossexuais terem novos direitos assegurados, ainda há um grupo de americanos que são odiados: os ateus.

Norte-Americanos que não acreditam em Deus são usualmente considerados "imorais, perversos e raivosos" pelos crentes. Assim, a "melhor da fatia do bolo" não pode ser servida a eles, nunca. Por exemplo, militares que se declaram ateus, quando são submetidos a avaliações psicológicas, tendem a ser avaliados como potencialmente "deficientes", especialmente quando não pontuam o suficiente no quesito "espiritual" em alguns testes. Levantamentos demonstram que a maioria dos americanos se recusam ou são relutantes em se casar ou votar em pessoas não-teístas. Em outras palavras, pessoas não crentes são uma minoria a qual são (geralmente) negados o direito de assumir cargos importantes, ainda que a constitucão proíba coisas como "testes religiosos".



Esta discriminação anti-ateísta é raramente denunciada pelo mainstream jornalístico, e impressionantemente estimulada por conservadores cristãos que, escandalosamente - e rudemente - declaram que a falta de fé em Deus é prejudicial para a sociedade, sugerindo que os descrentes são pessoas intrinsecamente suspeitas e cidadãos de segunda-classe. *** (No Brasil, temos clássico caso DATENA x ATEA)

Está antipatia com os ateus é justificada? NÃO.
Um número crescente de pesquisas em ciências sociais revela que os ateus, e pessoas não-religiosas em geral, estão longe de serem os seres repugnantes que muitos presumem. Em questões básicas de moralidade e decência humana - questões como o uso governamental de tortura pena de morte, bater em crianças, racismo, sexismo, homofobia, anti-semitismo, degradação ambiental ou direitos humanos - os irreligiosos tendem a ser mais éticos do que seus colegas religiosos, especialmente em comparação com aqueles que se descrevem como muito religiosos.

Considere-se que a nível da sociedade, as taxas de homicídio são muito menores em países secularizados como o Japão ou a Suécia do que em um país como os Estados Unidos, bastante religioso se comparado a estes. Os EUA também tem uma parcela muito maior de população prisional. Mesmo dentro dos EUA, estados com os maiores níveis de freqüência à igreja, como Louisiana e Mississippi, têm taxas de homicídio significativamente maior do que em estados menos religiosos, como Vermont e Oregon.
Ateus tendem a obter uma alta pontuação em medidas de capacidade de inteligência, especialmente verbal e de conhecimento científico. Tendem a criar seus filhos para solucionar problemas racionalmente, tomarem suas próprias decisões quando se trata de questões existenciais e obedecerem a regra de ouro (faça para os outros o que gostaria de que fizessem para você). Eles são mais propensos a praticar sexo seguro do que as pessoas fortemente religiosas e são menos propensos ao "nacionalismo" ou "etnocentrismo". Acima de tudo, valorizam a liberdade de pensamento.

Enquanto muitos estudos mostram que americanos seculares, ateus, não se saíram tão bem quanto os religiosos em certos indicadores de saúde mental ou bem-estar subjetivo, novos estudos estão mostrando que as relações entre ateísmo, teísmo e saúde mental são complexas. Afinal, a Dinamarca, que está entre os países menos religiosos do mundo, apresenta, de forma consistente, taxas elevadas de felicidade e bem-estar. Igualmente, o estudos de apóstatas - pessoas que eram religiosas, mas depois rejeitaram a religião - relatam o sentimento de mais felicidade, vida melhor e maior sensação de liberdade em suas novas "vidas pós-religiosas".