Mostrando postagens com marcador sexualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sexualidade. Mostrar todas as postagens

6.12.11

Homofobia e religião

original em: http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=9328/Saindo%20da%20sombra


Saindo da sombra

Este discurso homofóbico e moralista por parte de vários líderes de igrejas não passa de cortina de fumaça para desviar os olhares públicos daquilo que realmente interessa: a Igreja como empresa lucrativa.

Por Vange Leonel
Falsas assimetrias são sempre um perigo. Elas colocam em dois polos contrários conceitos que não estão, necessariamente, em oposição. Fico preocupada, em particular, com uma suposta guerra entre religião e LGBTs, iniciada por grupos fundamentalistas dentro e fora de suas igrejas. Esta é uma batalha desigual e, por isso, penso não ser uma boa ideia comprarmos esta falsa polarização.
Obviamente sabemos que católicos puniram homossexuais em seus tribunais de inquisição e que fundamentalistas religiosos ainda insistem em demonizar LGBTs. Mas é verdade também que existem correntes progressistas e inclusivas na maioria das religiões organizadas. Ou seja, posso provar que esta dicotomia religião/LGBT é falsa pela simples constatação que há religiosos pró-LGBTs e existem também LGBTs religiosos. A meu ver, a insistência em colocar essas duas categorias numa oposição irreconciliável é extremamente prejudicial, principalmente para os movimentos homossexuais.
Gebara
Ateísta e lésbica, eu admiro muito a teóloga feminista Ivone Gebara, que é a favor de uniões homoafetivas e da descriminalização do aborto. Gebara faz críticas contundentes à Igreja Católica a que pertence e, como teóloga, pode fazê-las melhor que eu, uma leiga. Por que deixaria de lado uma valiosa aliada como ela? Por que, insisto, opor LGBTs e religião apenas porque um punhado de religiosos homofóbicos vitupera teses medievais a respeito de sexualidade, aborto, camisinha etc?
Este discurso homofóbico e moralista por parte de vários líderes de igrejas não passa de cortina de fumaça para desviar os olhares públicos daquilo que realmente interessa: a Igreja como empresa lucrativa. Recentemente, o Ministério Público Federal acusou o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, de lavagem de dinheiro e estelionato contra seus próprios fiéis. A bispa Sônia, líder da Igreja Renascer em Cristo, viu-se obrigada a fechar 70% de seus templos depois de enfrentar processos na Justiça por formação de quadrilha e estelionato.
"bispa" Sonia Hernandes
Assim, prefiro combater estas igrejas-empresas (que abusam de uma retórica homofóbica) pelos seus malfeitos financeiros. Não tenho bagagem, estofo ou vontade de discutir o cerne de suas crenças. Como disse acima, prefiro delegar esse tipo de crítica a teólogos dissidentes, capazes de fazê-la com mais propriedade. Além disso, há um efeito colateral perverso quando se rebate repetidamente ataques religiosos homofóbicos: quando respondemos que “não somos pervertidos”, “não somos doentes”, “não sofremos de desvio de comportamento”, acabamos reforçando a analogia nefasta “gay/pervertido/doente”, em vez de apontar para o que há de libertário na luta LGBT. Quem rebate todo tempo acusações deste tipo permanece sob a sombra úmida da vitimização.
Ressalto que a homofobia de cunho religioso deve ser denunciada e punida, mas acho contraproducente insistir na tese “religião é contra gays”. Mesmo dentro dos movimentos homossexuais há vertentes religiosas. E grupos – como o Católicas pelo Direito de Decidir – lutam há anos ao lado de movimentos feministas e LGBTs.
Em vez de ficar na defensiva, encurralada nas cordas pelo proselitismo moralista e hipócrita, prefiro me empenhar numa agenda positiva. Somos vítimas de homofobia secular e religiosa? Sem dúvida. Mas não devemos ficar imóveis na posição de vítimas. Temos muitas outras posições para explorar.
e-mail: vangeleonel@uol.com.br
twitter: @vleonel

31.10.11

"Mas tudo faltaria, se faltasse o sexo" - Freud nunca teve tanta razão!

O meu blog é sobre ciência, espiritualidade e especismo (vegetarianismo). Obviamente, eu também falo, esparsamente, sobre outros assuntos do meu interesse, tais como: casamento, games, sexo, humor, tecnologia, etc.
Há tempos, reproduzi aqui no blog uma reportagem do PORTAL G1 sobre a preferência masculina sobre pornografia e sexo com "gordinhas" e "balzaquianas". VEJA AQUI.
  
E NÃO É QUE ESSE É O SEGUNDO POST MAIS LIDO DO MEU BLOG? Perde apenas para o post sobre psicologia transpessoal! (rsrsrsrs - tudo a ver!).

A maioria dos leitores deste post vem, obviamente, do GOOGLE. São aqueles que coloquem no famoso motor de busca palavras-chave como: "sexo com velhas"; "sexo com gordas"; etc. Nessa horas, a internet é o "amigo oculto", "confidente", aquele onde podemos destilar nossos fetiches sexuais - nossas "parafilias". Lembrando que "sexo" e "pornografia" estão entre as cinco palavras mais pesquisadas por internautas, do mundo inteiro, no GOOGLE. Tudo isso me fez lembrar...

FREUD tinha razão, não é? a sexualidade está em tudo!?
Não é a toa que entre os homens, sites pornográficos tais como PORNTUBE, SEXTUBE, XVIDEOS são unanimidades nas rodas de conversa - "sexo, futebol, cerveja, política, etc". Nesses sites, o usuário pode escolher categorias, e destilar todos os seus fetiches. Em um dos mais famosos, o SEXTUBE, as categorias chegam a quase 20 (oral, anal, seios grandes, travestis, antiguidades, gordinhas, pênis grandes, balzaquianas, grupos, gays, negras, lolitas, etc). Enfim, agradam a todos os gostos.

Isso tudo me fez pensar na frase que dá título a esse post - "Mas tudo faltaria, se faltasse o sexo". E, consequentemente, lembro dessa frase através da mítica entrevista de Freud a George Sylvester Viereck.

a frase, contudo, não é de Freud, mas do poeta Walt Whitman. Freud apenas o parafraseou para responder a Viereck uma "capciosa" pergunta.


George Sylvester Viereck: O senhor ainda coloca a ênfase sobretudo no sexo?

S. Freud: respondo com as palavras do seu próprio poeta, Walt Whitman: "Mas tudo faltaria, se faltasse o sexo" ("Yet all were lacking, if sex were lacking"). Entretanto, já lhe expliquei que agora coloco ênfase quase igual naquilo que está "além" do prazer - a morte, a negociação da vida. Este desejo explica por que alguns homens amam a dor - como um passo para o aniquilamento! Explica por que os poetas agradecem a...

Whatever gods there be,
That no life lives forever
And even the weariest river
Winds somewhere safe to sea.

("Quaisquer deuses que existam/ Que vida nenhuma viva para sempre/ Que os mortos jamais se levantem / E também o rio mais cansado/ Deságüe tranqüilo no mar".)
George Sylvester Viereck: Shaw, como o senhor, não deseja viver para sempre, mas à diferença do senhor, ele considera o sexo desinteressante.

S. Freud: (sorrindo) Shaw não compreende o sexo. [...] Em um de seus prefácios, ele mesmo enfatiza o traço ascético do seu temperamento. Eu posso ter errado em muitas coisas, mas estou certo de que não errei ao enfatizar a importância do instinto sexual. Por ser tão forte, ele se choca sempre com as convenções e salvaguardas da civilização. A humanidade, em uma espécie de auto-defesa, procura negar sua importância. Se você arranhar um russo, diz o provérbio, aparece o tártaro sob a pele. Analise qualquer emoção humana, não importa quão distante esteja da esfera da sexualidade, e você certamente encontrará esse impulso primordial, ao qual a própria vida deve a perpetuação. 
ENFIM, mesmo em um blog sobre ciência, espiritualidade e especismo, parece que "tudo faltaria, se faltasse o sexo", não é mesmo?

14.7.11

Sexualidade do ocidente e do oriente através dos desenhos

Interessante devaneio de um colega internauta sobre sexualidade: tabus, ocidente x oriente, preconceitos, androginia, sexualidade feminina, homosexualidade, fetiches, etc

ORIGINAL EM: http://members.fortunecity.com/elbereth1/Sailormoonp3.htm

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------


A silenciosa revolução sexual de Sailor Moon (III)





Esta página é a terceira de uma série que trata da visão feminina nos mangás e animes, especialmente em Sailor Moon. Se você chegou direto a esta página, recomendo que você leia antes as primeiras partes ou algumas coisas podem não ficar muito claras. Vá até lá clicando AQUI.

Aviso: Se você acha que desenho animado e assuntos "de adultos" como erotismo e sexualidade não combinam, não se dê ao trabalho de ler esta página até o final. Não há nada de imoral ou "sacana" por aqui, apenas uma discussão séria de como tais temas são tratados mais ou menos abertamente em mangás e animes ao contrário do que acontece na sociedade ocidental. Caso esteja a fim de ler sobre isso, seja bem vindo e prossiga sem medo. Caso contrário, tenho certeza que você vai achar algo mais interessante na página do Índice.)


A Auto-crítica

À primeira vista, muita gente (e eu entre eles) conseguem apenas ver a superfície do enredo romântico e das patetices de Sailor Moon. No entanto, uma segunda olhada mais atenta deixa ver o quanto de crítica Naoko Takeuchi empresta ao seu trabalho. Todos os clichês românticos dos shoujo manga, das novelas de TV e das revistas de fotonovelas estão lá, apenas ampliados de tal maneira que se tornam patentemente ridículos. Vamos ver alguns deles.
Comecemos pela roupa das sailors: li em algum lugar que quando Takeuchi submeteu o esboço da série ao editor pela primeira vez ele disse que era ridícula a idéia de meninas salvarem o mundo vestidas de marinheiro e com aquelas mini-saias. No entanto, é exatamente isso que faz a graça da série. Heroínas que se vestem desse jeito não podem ser levadas a sério, o que abre espaço para que elas oscilem loucamente entre os comportamentos de super-heroínas e estudantes do primeiro grau. Até mesmo Amy, sempre tão séria, solta uma bobagem de vez em quando.



Porém, a auto-crítica não chega a ser por demais agressiva ao ponto de tirar a credibilidade das heroínas. Ao mesmo tempo, segundo o ponto de vista feminino, as roupas são bonitas e ressaltam as personalidades das sailors, principalmente os acessórios, como sapatos e brincos: vejam como os sapatos de salto alto de Raye realçam seu estilo clássico, enquanto as botinhas amarradas de Lita sugerem a sua praticidade, que é contrabalançada, porém, por seus brincos em forma de rosa (mulheres gostam de tais detalhes nas obras dedicadas a elas, basta ver o sucesso de qualquer item da moda que apareça nas novelas da TV e o cuidado dispensado às roupas de Sakura Card Captor...). Além disso, as transformações são uma festa de delicadeza, principalmente a de Sailor Moon na primeira fase do anime,  quando fitas cor-de-rosa envolvem o seu corpo e dão origem ao seu uniforme - tanto que se tornou uma cena clássica de transformação de heroínas, sendo revisitada, por exemplo, em Corrector Yui.

Outro ponto que chama a atenção é a figura de Tuxedo Mask. Ele é o protótipo do herói dos romances baratos, vestido a rigor  (uma roupa ainda menos prática do que a das sailors quando se trata de lutar...), completo com capa, bengala e aquela cartola que deve ter sido feita na mesma fábrica do chapéu de Indiana Jones, já que ambos nunca caem mesmo após várias cambalhotas. E não nos esqueçamos da máscara, que recria o mito do protetor desconhecido tão presente nas HQs. Mas o ápice de tudo são as frases melosas e quase sem sentido que ele diz quando salva a situação - com uma música pseudo-espanhola ao fundo, acentuando ainda mais o seu "poder de sedução". É tudo hilário demais! 

Porém, tudo isso não chega a ser tão escrachado que destrua totalmente a ilusão do momento romântico e do homem culto e refinado, tanto que no começo eu mesma chegava a me irritar com o comportamento "over" do personagem. Apenas muito tempo depois, vendo as outras fases da série e como as falas de Tuxedo Mask iam ficando mais e mais absurdas, é que eu percebi a ironia e o escracho. O pior é que a gente pode realmente encontrar falas parecidas nos romances baratos que as moças costumavam ler (tipo Sabrina ou Bianca), só que levadas a sério naqueles contextos!...

Mais um ponto de auto-crítica é o romantismo exagerado que  permeia a série, principalmente por parte de Serena e, mais ainda, de Lita, que vê em cada homem alguma coisa que lembra um antigo namorado e conseqüentemente a faz apaixonar-se repetidamente em um piscar de olhos. Serena diz que só tem olhos para Darien, mas sempre acaba flertando com mais alguém - o que leva aos protesto indignados de suas amigas, porque, afinal, ela já tem um namorado, enquanto as demais ficam "sobrando".
Esse romantismo desmedido, a idealização do parceiro perfeito, a espera do grande amor, os ciúmes, a incerteza e o medo de perder a pessoa amada são, no entanto, as questões mais importantes para a faixa de idade a que se destina a série e sua exposição de uma maneira leve mas consciente certamente foi crucial para o sucesso da série entre as mulheres de vários países. No entanto, ainda há um elemento incrivelmente marcante em Sailor Moon que conseguiu atravessar inúmeras barreiras de censura e expor questões até então pouco vistas nas bandas ocidentais: a expressão da sexualidade feminina. 

  A sexualidade no Ocidente 

É interessante ver como a visão da sexualidade feminina tem evoluído no Ocidente. Na Idade Média, a figura da mulher oscilava entre a santa mãe (calcada na figura da Virgem Maria) e a fonte de todo o mal (na figura de Eva e sua nefasta influência sobre Adão). Como não era possível conciliar as duas idéias completamente antagônicas, as mulheres tinham que escolher o seu lado: ou se tornavam moças "pra casar", puras e praticamente assexuadas (a não ser no dever de dar filhos ao marido, mas isso pouco tinha a ver com sexualidade, e sim apenas com a procriação e a conservação da espécie) ou se tornavam "libertinas", "cortesãs", "prostitutas" - isto é, mulheres que serviam à diversão dos homens (como uma profissão) ou que "cediam aos seus impulsos malignos" e eram excluídas da sociedade respeitável (o que ainda hoje acontece muito. Só como ilustração, há alguns anos eu estava num ônibus e passamos por uma rua onde havia várias prostitutas "fazendo ponto" no meio da tarde. Um homem que estava sentado ao meu lado comentou algo sobre "essas mulheres perdidas" ou coisa assim. Eu então disse que, se elas não tivessem "clientes" que as procurassem, elas não estariam ali, e que se os homens não pagassem por sexo não existiria mais prostituição no mundo. Não é que o cara ficou furioso comigo? É fácil pensar que outras pessoas são "decaídas" por natureza, mas ninguém quer pensar no quanto faz parte dessa história, não é?...).